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Saúde intestinal: por que cuidar do intestino vai muito além da digestão

 Conteúdo desenvolvido em parceria com Tarsila Bisinella, Nutricionista CRN8-2406

Quando falamos em saúde intestinal, é comum pensar apenas na frequência com que vamos ao banheiro. Mas cuidar do intestino envolve muito mais do que isso.

Segundo a nutricionista Tarsila Bandeira Bisinella (CRN 8-2406), nosso intestino é colonizado por uma comunidade diversificada de microrganismos, conhecida como microbiota intestinal. Manter o equilíbrio dessa microbiota é uma parte importante da saúde do organismo como um todo.

Diversos fatores podem alterar esse equilíbrio e favorecer uma condição conhecida como disbiose intestinal. Uma alimentação pobre ou pouco variada, estresse, uso abusivo de medicamentos, alterações da motilidade intestinal, distúrbios do sistema digestivo e deficiências nutricionais estão entre eles

O que o funcionamento do intestino pode nos dizer?

Observar as evacuações é uma das maneiras de acompanhar a saúde intestinal. Frequência, consistência, cor e odor das fezes podem fornecer informações importantes. Tarsila explica que menos de três evacuações por semana, por exemplo, pode ser um sinal de constipação.

Por outro lado, mais de três evacuações ao dia, principalmente quando acompanhadas de fezes amolecidas ou líquidas, também merece atenção. Na consulta nutricional, uma das ferramentas que pode ser utilizada é a Escala de Bristol, que ajuda o paciente a identificar as características das fezes e auxilia o profissional a compreender melhor o funcionamento intestinal.

Além disso, sintomas como desconforto abdominal, estufamento e aumento da produção de gases também podem indicar que o intestino precisa de mais atenção. É importante lembrar que nenhum desses sinais, isoladamente, é suficiente para estabelecer um diagnóstico. Eles funcionam como informações que ajudam a direcionar a avaliação.

Por que o intestino vai muito além da digestão?

Esse é justamente um dos pontos que Tarsila destaca quando fala sobre saúde intestinal: a atuação da microbiota não se limita à digestão. A microbiota intestinal participa de diferentes funções no nosso organismo.

Além de atuar na digestão dos alimentos, participa da produção de vitaminas, como K, B7 e B9, de neurotransmissores e de ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o butirato. Essas substâncias exercem funções importantes para as células intestinais, enquanto a microbiota também participa da modulação do sistema imunológico e da proteção contra patógenos.

Por isso, quando existe um desequilíbrio da microbiota, seus efeitos podem ir além de sintomas digestivos e estar associados a diferentes alterações de saúde. Cuidar do intestino, portanto, também é uma maneira de olhar para a saúde e para a qualidade de vida de forma mais ampla.

Alimentação, hidratação, sono e estresse também fazem parte desse cuidado

Aveia, sementes, frutas, vegetais e um copo de água representando cuidados com a saúde intestinal.

Para favorecer o equilíbrio da microbiota, Tarsila orienta que a alimentação ofereça boas fontes de fibras e evite o excesso de gorduras saturadas, açúcares e alimentos industrializados. Frutas, vegetais e sementes são algumas das fontes de fibras que podem fazer parte da rotina.

Mas ela chama atenção para outro ponto importante: quando aumentamos o consumo de fibras, também precisamos dar atenção à hidratação, para favorecer o trânsito intestinal.

A rotina também influencia. Ter horários para dormir, acordar e realizar as refeições ajuda na organização do ciclo circadiano, nosso relógio biológico, que também está relacionado ao funcionamento intestinal.

Da mesma maneira, excesso de estresse e falta de sono podem interferir na permeabilidade intestinal e nos processos inflamatórios. Ou seja: quando pensamos em saúde intestinal, não podemos olhar apenas para aquilo que está no prato.

E onde entram prebióticos e probióticos?

Iogurte, kefir, banana, aveia e suplemento probiótico ilustrando prebióticos e probióticos na saúde intestinal.

Em algumas situações, prebióticos e probióticos também podem fazer parte dos cuidados com o intestino. Os probióticos são microrganismos que podem contribuir para a barreira intestinal e para a modulação da imunidade. Existem diferentes tipos e cepas e, como explica Tarsila, a escolha deve considerar as necessidades, o funcionamento intestinal e os sintomas apresentados por cada pessoa.

Já os prebióticos incluem fibras e outras substâncias capazes de estimular o crescimento e a atividade de bactérias benéficas. Eles também podem contribuir para a motilidade intestinal, absorção de minerais e saciedade. Por isso, a suplementação não deve ser vista como uma solução igual para todo mundo. A estratégia precisa considerar as características individuais.

Saúde intestinal e atividade física: uma relação de mão dupla

Pessoa correndo em parque arborizado, ilustrando a relação entre atividade física e saúde intestinal.

A prática regular de atividade física também pode contribuir para a saúde intestinal. O exercício auxilia no controle da saúde metabólica e do peso corporal, melhora o trânsito intestinal e pode colaborar para o controle do estresse.

Além disso, pode contribuir para um perfil mais favorável das bactérias que compõem a microbiota. E essa relação também acontece no sentido contrário. Um sistema digestivo mais equilibrado favorece a absorção e o aproveitamento dos nutrientes, fatores importantes para energia, disposição e prática esportiva.

Tarsila faz uma ressalva para quem pratica atividades de alta intensidade e longa duração: esse tipo de exercício pode comprometer a barreira intestinal e exige atenção maior aos cuidados com o intestino. Para quem pratica esporte, a alimentação e a suplementação também precisam ser planejadas e testadas.

Segundo a nutricionista, o intestino deve ser “treinado” com a alimentação e a suplementação que serão utilizadas pelo atleta, principalmente quando existe uma prova ou competição pela frente.

Cuidado com as soluções rápidas

Um dos erros mais comuns de quem enfrenta dificuldades com o funcionamento intestinal é buscar uma solução imediata sem investigar o motivo do problema. Tarsila cita o uso de laxantes para um intestino mais preso como um dos exemplos mais frequentes.

Para ela, antes de tentar apenas fazer o intestino funcionar, uma pergunta é fundamental: qual é a causa desse intestino mais preso? Em alguns casos, ajustes na alimentação, hidratação e atividade física podem fazer diferença. Em outros, é necessário investigar de maneira mais ampla.

Cada pessoa também apresenta características próprias de funcionamento intestinal, como tempo de trânsito, frequência e número de evacuações. Por isso, nem sempre uma característica diferente significa necessariamente a existência de um problema. Quando necessário, a avaliação pode considerar sintomas, histórico do paciente e exames específicos.

Olhar para a causa, e não somente para o sintoma

Esse olhar individualizado está diretamente relacionado à atuação profissional de Tarsila.

A nutrição clínica funcional procura compreender a interação entre os diferentes sistemas do organismo e coloca o indivíduo no centro da avaliação. Isso significa conhecer sua história, hábitos alimentares, rotina, ambiente, crenças e outros fatores que possam estar relacionados aos sinais e sintomas apresentados.

Quando existe uma alteração intestinal, o objetivo não deve ser apenas silenciar o sintoma, mas procurar entender o que pode estar por trás dele. Esse olhar mais amplo é importante porque o intestino se relaciona com diferentes aspectos da saúde e também com o momento de vida de cada pessoa.

Por onde começar a cuidar melhor do intestino?

Para quem quer começar, Tarsila reforça que alguns cuidados relativamente simples já podem fazer parte da rotina: manter uma alimentação equilibrada e rica em fibras, ajustar o volume e os horários das refeições, cuidar da hidratação, prestar atenção à mastigação e estar presente durante as refeições.

Também é importante praticar atividade física, buscar estratégias para o manejo do estresse, cuidar do sono e observar o funcionamento intestinal no dia a dia.

Mais do que procurar uma solução rápida, cuidar da saúde intestinal é observar o organismo, entender seus sinais e, quando necessário, buscar acompanhamento individualizado.

Sobre Tarsila Bisinella

Foto da Nutricionista Tarsila Bisinella
Assinatura Nutricionista Tarsila Bisinella

 

CRN8-2406

Nutricionista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especializações em Terapia Nutricional com treinamento em serviço no Hospital de Clínicas da UFPR, Nutrição Clínica, Saúde da Família, Nutrição Clínica Funcional, Fitoterapia aplicada à Nutrição e Nutrição Esportiva.

Instagram: @tarsilanutri

Logo Nutricionista Tarsila Bisinella

Perguntas frequentes sobre saúde intestinal (FAQ)

1. Como saber se minha saúde intestinal está equilibrada?

Observar a frequência e a consistência das fezes, além de sintomas como gases, estufamento e desconforto abdominal, pode ajudar a acompanhar o funcionamento do intestino. Alterações persistentes merecem avaliação profissional, pois cada pessoa possui características individuais.

2. O que é microbiota intestinal e por que ela é importante?

A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que habitam nosso intestino. Ela participa da digestão, da produção de determinadas substâncias, da proteção contra microrganismos prejudiciais e da regulação do sistema imunológico.

3. Quais alimentos ajudam a cuidar da saúde intestinal?

Frutas, verduras, legumes, grãos integrais e sementes são fontes de fibras que podem favorecer o funcionamento intestinal. Alimentos fermentados também podem fazer parte de uma alimentação variada. A hidratação adequada é importante, especialmente quando aumentamos o consumo de fibras.

4. Qual é a diferença entre prebióticos e probióticos?

Os prebióticos são substâncias utilizadas seletivamente por microrganismos do organismo, proporcionando benefícios à saúde. Já os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, podem oferecer benefícios específicos. A escolha de suplementos deve considerar as necessidades individuais e a orientação profissional.

5. Estresse e falta de sono podem afetar o intestino?

Sim. O intestino se comunica com o sistema nervoso por meio do eixo intestino-cérebro. O estresse e as alterações do sono podem interferir no funcionamento gastrointestinal e contribuir para sintomas como desconforto abdominal e mudanças no hábito intestinal.

6. É necessário tomar probióticos para manter o intestino saudável?

Não necessariamente. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras, associada à hidratação, atividade física e sono adequado, é uma parte importante dos cuidados com o intestino. A suplementação com probióticos pode ser indicada em situações específicas, considerando a cepa, a dose e as necessidades de cada pessoa.

Referências

  1. MARTINEZ, A. P.; AZEVEDO, G. R. de. Tradução, adaptação cultural e validação da Bristol Stool Form Scale para a população brasileira. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(3), maio-jun. 2012.
  2. The Rome Foundation.
  3. PASCHOAL, Valéria; NAVES, Andreia; FONSECA, Ana Beatriz B. L. da. Nutrição clínica funcional: dos princípios à prática clínica. São Paulo: VP Editora, 2013.
  4. BRUNO, Luciano; AL ASSAL, Karina; CASTRO, Rita. Reprogramando seu intestino. São Paulo: PoloBooks, 2019.
  5. Curso de atualização: Intestino como maestro metabólico — Vania Matoso.
  6. Curso de atualização: Saúde intestinal e microbiota Jefferson Bitencourt / Consciência Nutricional.
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